sábado, 2 de março de 2013

Grandes eventos, grandes negócios


Como traduzir o ambiente promissor do Rio em oportunidades profissionais será uma das discussões do primeiro dia do Controversas

MÁRIO CAJÉ

Seja na correria da redação ou na maratona de telefonemas e releases, os grandes eventos sempre exigem algo a mais dos profissionais de comunicação. Mas também rendem boas oportunidades de trabalho. Por isso, promover um encontro entre os futuros profissionais e os jornalistas que já têm experiência nesse tipo de cobertura tem tudo para dar certo. A segunda mesa de debates do primeiro dia do Controversas será de 19 às 21h, no dia 4 de março.


O potencial turístico e econômico do Rio de Janeiro faz com que eventos de grande porte, apesar de sazonais, não sejam raros. Apesar disso, o momento é excepcional para quem está de olho em oportunidades profissionais na área de comunicação. A Jornada Mundial da Juventude, que ocorrerá em julho, e os megaeventos esportivos – a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 - são exemplos de que o estudante carioca já pode – e deve – aprender as manhas das coberturas especiais.

Mediada pela professora Renata Rezende, a mesa reunirá Aydano André Motta (editor do site da coluna de Ancelmo Gois, no O Globo e colaborador de publicações de todo o país, como Marie Claire, Vogue RG, Rio, Samba e Carnaval e Revista ESPN), Fabiana Lavinas (assessora de imprensa da Approach), Paulo Henrique Ferreira (gerente-executivo de Mídia Digital no Grupo LANCE!) e Dario Leite (ex-chefe de reportagem da TV Globo, durante as Copas do Mundo de 2002 e 2006 e nas Olimpíadas de Pequim, e atual chefe de redação da TV Record).

Quem quiser ouvir algumas curiosidades da produção de um jornal em tempos de grandes coberturas e dos bastidores da assessoria de imprensa quando tudo ferve - e até comer se torna supérfluo – não pode perder esse debate.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Mesa do Controversas vai debater a arte da boa entrevista


Evento reunirá profissionais renomados para discussão sobre a construção e os diferentes estilos de textos

NÍVIA PASSOS

Mais do que um simples conjunto de perguntas e respostas, quando bem produzidas, grandes entrevistas podem revolucionar toda uma época, romper silêncios e causar impactos marcantes no público. Um dos maiores exemplos disso é a entrevista de Richard Nixon, ex-presidente dos Estados Unidos, ao apresentador de TV David Frost, logo após o escândalo de Watergate em 1972, um dos casos de corrupção política de maior repercussão no Ocidente.




Nesse caso, Frost explorou uma estratégia inteligente aliada a perguntas bem formuladas e força de vontade para extrair respostas marcantes de um dos presidentes mais controversos da história americana. 

É justamente o poder de conseguir entrevistas que fogem do óbvio, do simples “sim ou não”, que será discutido em uma das mesas desta edição do Controversas. O debate  que será no dia 5 de março, a partir das 19h - , contará com a presença dos jornalistas Geneton Moraes Neto (repórter especial da Globo News); Regina Zappa (que falará sobre o processo de entrevistas para as três biografias que escreveu); e Renata Chiara (atualmente produtora do Fantástico, na Rede Globo). 

O encontro é uma oportunidade para os futuros jornalistas conhecerem mais da carreira de grandes nomes do jornalismo brasileiro e, ao mesmo tempo, tirar dúvidas e aprender com mestres da entrevista e da reportagem. A quinta edição do Controversas será de 4 a 6 de março, no auditório Macunaíma, no campus do Gragoatá.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Limites da Reportagem Investigativa serão debatidos no Controversas

Mesa abre o primeiro dia do evento

CARINA LAMONATO

Perseguir suspeitos, desarmar esquemas, ficar cara a cara com bandidos. Detetives? Não. Jornalistas investigativos. Este ano, o Controversas traz para a mesa de discussões alguns desses profissionais que enfrentam de perto os perigos de uma das categorias mais excitantes do jornalismo.


Profissionais mais conservadores consideram que a denominação “Jornalismo Investigativo” é redundante, pois investigar é uma das premissas do ofício. Com esse pensamento posto de lado, o fato é que as reportagens investigativas demandam uma dedicação especial dos repórteres envolvidos.

Um exemplo desse tipo de esforço pode ser visto em “Os homens de bens da Assembleia Legislativa”, série de reportagens vencedora do Prêmio Esso em 2004, feita pelo convidado Alan Gripp em parceria com outros seis jornalistas. Os repórteres analisaram 800 folhas de documentos sobre os bens acumulados pelos deputados estaduais do Rio de Janeiro em duas legislaturas (1996 a 2001).

Foram quatro meses de análise dos documentos, pesquisas nos sites oficiais das entidades e entrevistas com envolvidos, para que os repórteres conseguissem concluir a análise da evolução patrimonial dos parlamentares e comprovar que 27 deputados tinham aumentado o patrimônio em mais de cem por cento. Tanto tempo investido foi recompensado com a investigação realizada pela Receita Federal após a divulgação das reportagens.

Em outros casos, o repórter tem que estar inserido no caso para investigar com clareza. Assim fez Francisco Regueira, outro convidado da mesa sobre o tema. Regueira passou três meses como taxista legalizado na cidade do Rio para investigar as máfias de taxistas ilegais e milicianos. A reportagem rendeu ao repórter o prêmio nacional de jornalismo da Confederação Nacional dos Transportes e uma temporada
fora da cidade por conta das ameaças que recebeu. Mazelas da profissão.

Mas algumas reportagens podem trazer consequências ainda mais cruéis para os jornalistas. Tim Lopes, produtor da TV Globo, foi assassinado em 2002, no baile funk onde estava para registrar imagens que ilustrariam uma reportagem sobre o tráfico no Complexo do Alemão.

Em 2008, repórteres do Jornal O Dia que moraram na favela do Batan para investigar a atuação das milícias foram sequestrados, torturados e abandonados na avenida Brasil. Tanto a repórter quanto o fotógrafo deixaram o Rio de Janeiro por não se sentirem mais seguros no Estado.

Casos como esses levam à reflexões sobre um limite para a Reportagem Investigativa, já que a linha entre o furo jornalístico e a segurança é um limite tênue, muitas vezes ignorado.

Até que ponto vale arriscar a vida por uma notícia? Leve sua opinião para o Controversas e discuta com os palestrantes convidados.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sem lenço e sem documento


Mercado de freelancer será um dos temas discutidos na quinta edição do Controversas

MÁRIO CAJÉ

Muitos jornalistas vivenciam uma dúvida cruel: escolher entre o emprego fixo, muitas vezes mal remunerado, e a adrenalina de garantir o sustento com trabalhos temporários, que têm potencial de gerar uma renda bem mais atraente. Trata-se de uma encruzilhada sem fórmula pronta.

A próxima edição do Controversas pretende ajudar a esclarecer os ônus e bônus de uma escolha tão importante.“O mercado freelancer” será uma das mesas de debate do evento. Participarão dela Cezar Faccioli (que já fez freelas para veículos como o jornal Brasil Econômico, a revista Exame e a Petrobras), Flávia Tavares (assessora especializada em grandes eventos), Carlos Vasconcelos (ex-assessor da Petrobras, ex-repórter do JB e atual colaborador do Valor Econômico) e André Arruda (ex-JB e jornal O Globo). Será a primeira mesa do último dia do evento, 6 de março.

Jornalismo freelancer será debatido no último dia do evento

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A literatura como combustível para o jornalismo


Jornalismo literário será tema de debate na quinta edição do Controversas


THAIS XIMENES


Na faculdade, aprendemos que um bom texto jornalístico tem que apresentar alguns elementos básicos e essenciais. Entre eles, um lead que responda as perguntas: quem; o que; onde; quando; como e por quê. E um desenvolvimento que apresente os fatos e a finalização. Tudo muito bem amarrado, sem buracos ou falhas. Esse é o estilo narrativo clássico do jornalismo.




Acontece que nem todo jornalista se prende a esse estilo mais de escrita, mas parte para a literatura. Seu texto não deixa de conter todas as informações necessárias, nem de responder a todas as perguntas feitas, mas permite um envolvimento maior do jornalista com a história contada. Gay Talese, um dos precursores do Novo Jornalismo americano define que esse tipo de jornalismo “é, ou deveria ser, tão verídico, como a mais exata das reportagens”.

Os três convidados para a mesa de “Jornalismo e Literatura” trazem em seus trabalhos essa característica literária. Uma das convidadas é a jornalista da Revista O Globo, Mariana Filgueiras. Ela ganhou em 2009, um concurso de Jornalismo Literário promovido pela Revista Bravo!. É colaboradora da Revista Piauí, e usou esse estilo narrativo para contar o sumiço do cantor Belchior em uma matéria para o site Palma Louca. Entrevistou amigos, fãs e até parentes para descobrir o seu paradeiro.

Isabel Clemente é outra convidada para a primeira mesa do dia 5 de março. Editora da Revista Época na sucursal do Rio, ela usa esse modo de narrativa para escrever sobre todos os assuntos. Na matéria publicada na edição de dezembro de 2012, Isabel conta a história do menino brasileiro Welington, adotado por uma família holandesa depois de sofrer maus tratos por parte de seu pai biológico, a procura de sua família brasileira. Com cuidado e sensibilidade, a jornalista carioca mostrou o encontro dessas duas famílias.

Outro convidado dessa mesa é o jornalista Plínio Fraga. Ela já trabalhou no Jornal do Brasil e na Revista Piauí, e hoje está no Segundo Caderno, do Jornal O Globo. Seja escrevendo sobre política ou cultura, as matérias de Plinio tem cara de história e não de reportagem. Seus trabalhos na Piauí e no Segundo Caderno são os que mais evidenciam isso.

O jornalismo literário se desenvolve com a mesma clareza e competência que qualquer reportagem que se preze. Ele tem várias caras, formas particulares a cada autor e os convidados para a quinta edição do Controversas são apenas algumas delas. Eles vão contar por que decidiram escrever de uma maneira tão diferente e sobre a suas carreiras. A mesa de “Jornalismo e Literatura” começa às 16h do dia 5 de março.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Últimos dias para se inscrever no 1º Prêmio Controversas

ROBERTA ESTEVAM
As inscrições do I Prêmio Controversas de Reportagem terminam agora, no dia 28 de fevereiro. Podem participar alunos matriculados no curso de Jornalismo da UFF, com textos inéditos e também com reportagens universitárias produzidas ao longo dos últimos 12 meses. O tema é livre e os autores dos três melhores textos serão premiados.

O primeiro colocado fatura um e-reader Amazon Kindle; o segundo, um gravador de voz e o terceiro leva para casa “Dez reportagens que abalaram a ditadura”, livro do jornalista Fernando Molica.
Os candidatos serão avaliados por uma comissão julgadora, formada pelos professores João Batista de Abreu e Renata Rezende, além do jornalista Rafael Rosa, do jornal Valor Econômico.
O objetivo do concurso é estimular a produção jornalística dos alunos da UFF. “É interessante que os alunos saibam que os textos produzidos por eles para as matérias do curso, ou que são publicados em veículos universitários, podem concorrer a um prêmio como este”, explicou Larissa Morais, coordenadora do evento.
A intenção é ampliar as categorias do prêmio nos próximos anos, para que fotografia, rádio e TV também possam ser contemplados. Para participar desta primeira edição do Prêmio Controversas de Reportagem, o candidato deve enviar um e-mail para premiocontroversas@gmail.com, com texto em formato Word. No corpo da mensagem deve conter o nome completo, período, matrícula e o título da matéria. As dúvidas sobre o prêmio também serão tiradas através do mesmo e-mail.
Leia o regulamento completo:
http://pt.scribd.com/doc/121940535/Regulamento-Premio-Controversas

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Aydano André Motta: "O silência instiga a pessoa a falar"

ELENA BATISTA WESLEY
ILUSTRAÇÕES DE ILDO NASCIMENTO

“Era você que estava me ligando, não era?”. Aydano se desdobrou em desculpas por não atender o celular e por ter me indicado o endereço errado, inexistente no Rio. Ao receber as primeiras dicas sobre o bloquinho de anotações ideal, percebi que os imprevistos enfrentados não teriam a menor importância. Talvez até me aproximassem da sensação de inusitado que faz parte do dia-a-dia do jornalista. Com a simpatia estampada naqueles olhos verdes tão solícitos, Aydano contou sobre a arte de entrevistar que tem exercido em 25 anos de carreira. Mal deu para reparar no cheirinho de pão de queijo da cantina do jornal O Globo. Mesmo com um pouco de pressa – pois teria reunião dali a meia hora –, pareceu tão à vontade que as respostas vinham antes das perguntas. Nos sessenta minutos em que pude ouvi-lo, ainda ganhei um aceno do chefe, o jornalista Ancelmo Góis, que, segundo Aydano, também quer retornar como jornalista na próxima encarnação. 

Você já passou por alguma experiência de ter que entrevistar alguém de quem discorda muito? Como foi?


Muitas vezes. O Brizola é um exemplo.